Birdman: uma conquista suave
Hoje, vou falar de Birdman aclamado pela crítica e ganhador do Oscar por melhor filme, diretor, fotografia e roteiro.
O enredo narra a luta de um ator (Micheal Keaton) para se livrar do estigma do personagem que o consagrou como celebridade: Birdman.
Para deixar de ser rotulado, ele dispensa fazer um novo filme e se lança a aventura de fazer uma peça na Broadway.
Para isto, ele vende casa, junta as economias, dirige, produz e interpreta no espetáculo "Do que Estamos Falando Quando Falamos de Amor", de Raymond Carver.
No filme, você acompanha um ator acabado, com as rugas do tempo no rosto tentando provar que sabe atuar. Ele é desacreditado pela crítica que não aposta no seu talento.
Filmado dando a impressão de apenas uma sequência sem cortes, há momentos que o cenário sufoca o telespectador. É claro que o premiado diretor Alejandro Gonzalez Iñarritu usa deste artificio de propósito, para que tenhamos a mesma sensação daquele homem que ao chegar no final da carreira tem que começar tudo de novo para provar a si mesmo que sua vida valeu a pena.
Ele também tem que conviver com a filha (Emma Stone) recém saída de uma clínica de reabilitação. Ela provoca nele uma sensação permanente de ter sido um fracasso como pai. É muito engraçado vê-la durante boa parte do tempo escrevendo em um rolo de papel higiênico, uma terapia para se livrar das drogas.
O filme é muito bom, mas não é daqueles que você ama logo de início e também acredito que você não se apaixonada por ele da primeira vez em que assiste.
Para gostar de Birdman você tem que se relacionar cautelosamente com a tela do cinema e sentir devagar o que cada cena representa para você.
Para mim, Birdman mostra que para chegar ao final da vida com um sentimento de dever cumprio você precisa educar bem seus filhos para que eles possam enfrentar a vida sem usar de subterfúgios como a droga e a bebida e também não deve se contentar em ficar boa parte da sua existência em apenas um lugar, ou papel, precisamos de diversidade para sermos felizes, mesmo que esta diversidade não venha acompanhada de grandes aquisições financeiras.



